Noite de Luar
Viemos de..."lados errados". Do lado onde o ceu era escuro. Fizemos caminhos de giz no chão, que o tempo esvaneceu. Ficou a reminiscência do que já foi. Fomos bonecos de pano e brincámos aos namorados, até cairmos no relento. E aí, então, cruzámos os primeiros passos numa só linha. A noite deixou-nos só no arrepio de uma brisa indiscreta. Não sei, não sabes o quê, porquê, de onde, aquela noite caiu. Mas "aconteceu". Em segredo, luar genuíno, nenhuma luz mais. Braço de mar em baixo, burburinho de água que corre levemente. E o senhor do chapéu feito de sombras. Sem querer, mãos entrelaçadas. Na perfeição como um "puzzle", juntámos nesse mesmo raio de lua as pecinhas que faltavam em cada um de nós. Rio da memória que guardei, momento mais solene. Vimos estrelas cadentes até lhes perdermos a conta, porque até a leveza do céu puro interceptava com o que vibrava no ar entre nós. A mesma sensação, o mesmo olhar, a mesma cumplicidade, a mesma dúvida "o que é?", as mesmas palavras, o mesmo beijo, a mesma alma. Aí nos tornamos um pela primeira vez, porque sem dizer nada e conversar tanto, formamos um nó cego no primeiro beijar de lábios..e vimos o céu descolorar e começar a nascer um horizonte laranja. Primeiro amanhecer de um amor. E o abraço que trocámos ficou para sempre no meu corpo. E no mais longe do que deve ser o firmamento, não um rasgo de luar mas uma bola enorme e luminosa, grande como a nossa vida a dois, grande e arregalada como um olho sempre atento de alguém que abençoava aquele momento em perfeita cumplicidade connosco...estava ela. Lua, cupido dos que amam a natureza e tudo o que ela dá. Amo a natureza e amo-te a ti porque és parte dela, és dádiva, perfeição que só um Deus poderia criar. Amei-te desde o primeiro estimular de sentidos, desde a primeira tremura do meu peito, desde o primeiro fingir que não é nada e é amor. Amei-te desde que o teu sorriso colou no meu. E porque nunca tinhamos acendido fogueira no nosso coração, apenas ateámos uma labareda ou outra, porque tu em mim sim e eu em ti sim e porque nos completamos como dois cisnes embriagados de paixão. E porque nunca fomos de mais ninguém. Sempre que te magoarem eu vou sentir ainda mais porque eu sou a hepiderme da tua alma. Anjo da guarda. Sempre foste, hoje mais do que sempre. "Somos um bocado doidos, não somos?" "Parece que sim".
E dormimos com um segredo tão grande que quase explodia no peito e parecia ecoar por toda a floresta que envolvia. Mas ninguém acordou e só eu ouvi a tua pulsação na minha todo o tempo que dormi pela primeira vez com o meu anjinho da guarda à cabeceira.
E dormimos com um segredo tão grande que quase explodia no peito e parecia ecoar por toda a floresta que envolvia. Mas ninguém acordou e só eu ouvi a tua pulsação na minha todo o tempo que dormi pela primeira vez com o meu anjinho da guarda à cabeceira.

1 Comments:
At 7:40 AM,
Sara said…
Lindo...
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